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Festival Nova Frequencia 2016

A 6ª edição do Festival Novas Frequências, o principal evento regular de música avançada e exploratória da América do Sul, já tem data para acontecer. Entre os dias 3 e 8 de dezembro, a cidade do Rio de Janeiro vai receber aproximadamente 42 artistas de 13 países diferentes para uma série de shows, performances, instalações de arte sonora, festas, discussões sobre mercado, rodada de negócios e caminhadas sonoras.

A grande novidade em 2016 vem a ser uma parceria com o SHAPE, uma plataforma voltada para música, a arte sonora e a performance audiovisual fundada por festivais e centros culturais da Europa membros da rede colaborativa ICAS junto com o programa da União Europeia Creative Europe. Sigla para “Sound, Heterogeneous Art and Performance from Europe”, o SHAPE é formado por 16 associações europeias provenientes de 16 cidades diferentes. Ele consiste em uma plataforma de 3 anos (2015-2017) que visa apoiar, promover e criar intercâmbios entre músicos emergentes e inovadores e artistas interdisciplinares com um interesses em diferentes áreas do som e da performance.

A cada ano, os 16 festivais e associações envolvidas escolhem coletivamente 48 artistas extremamente criativos a participarem de um mix de performances ao vivo, residências, oficinas e apresentações ao redor do mundo, em festivais e eventos especiais. Os 16 membros do SHAPE e suas respectivas cidades são: CTM (Berlim, Alemanha), Schiev (Bruxelas, Bélgica), Rokolectiv (Bucareste, Romênia), UH Fest (Budapeste, Hungria), Unsound (Cracóvia, Polônia), Cynetart (Dresden, Alemanha), musikprotokoll im steirischen herbst (Graz, Áustria), TodaysArt (Haia, Holanda), MoTA – Museum of Transitory Art (Liubliana, Eslovênia), RIAM (Marselha, França), Biennale Némo (Paris, França), MeetFactory (Praga, República Checa), Maintenant (Rennes, França), Skaņu Mežs (Riga, Letônia), Les Siestes Électroniques (Toulouse, França) e Insomnia (Tromsø, Noruega).

Em dezembro de 2016, o encontro anual do SHAPE na forma de um showcase acontecerá durante o Festival Novas Frequências. Um total de 13 artistas selecionados por 12 dos 16 festivais que compõe a plataforma, irão participar do Novas Frequências. Além disso, os curadores e diretores artísticos destes festivais europeus também virão ao Rio em busca de intercâmbios, cooperações e novas parcerias com os artistas da cidade e do país.

A lista de artistas participantes do SHAPE dentro da 6ª edição do Novas Frequências é: 

Andreas Trobollowitsch (AT) – indicado pelo musikprotokoll im steirischen herbst
Black Zone Myth Chant (FR) – indicado pelo Maintenant
Céh (HU) – indicado pelo UH Fest
Gil Delindro (PT) – indicado pelo Cynetart
J. G. Biberkopf (LT) – indicado pelo MeetFactory
Julien Desprez (FR) – indicado pelo Biennale Némo
Mike Rijnierse (NL) – indicado pelo TodaysArt
Mr. Mitch (UK) – indicado pelo Les Siestes Électroniques
Sis_Mic (FR) – indicado pelo RIAM
Stephen Grew (UK) – indicado pelo Skaņu Mežs
Stine Janvin Motland (NO) – indicado pelo Insomnia
Toxe (SE) – indicado pelo CTM
Új Bála (HU) – indicado pelo UH Fest 

No início de setembro, o Novas Frequências já havia confirmado os primeiros 6 artistas do seu line-up: a banda norte-americana de música experimental e art rock Xiu Xiu; uma colaboração entre os cineastas franceses Vincent Moon e Priscilla Telmon com o experimentalista libanês Rabih Beaini batizada de “Cosmogonia”; os mexicanos Fausto Bahía e Mexican Jihad, dois dos fundadores de um dos principais coletivos de música eletrônica de pista da atualidade, o N.A.A.F.I; o power trio feminino de pós-punk e garage rock baseado em São Paulo Rakta; e o paulistano Thiago Miazzo, que, na performance inédita “Destruction Derby”, irá sonorizar ao vivo um game de destruição de carros jogado pela plateia.

A programação completa do festival, os locais das atividades e o início das vendas, serão divulgados em meados de outubro.

Membro da rede internacional de festivais de música avançada ICAS (International Cities of Advanced Sound), o Novas Frequências tem idealização dos produtores culturais Chico Dub (curadoria e direção artista) e Tathiana Lopes (direção de produção e produção executiva) e é realizado pela Cardápio de Ideias Comunicação e Eventos e pelo Oi Futuro. Conta com o patrocínio da Oi, do Governo do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro; patrocínio da Funarte e do Ministério da Cultura; apoio de mídia da revista inglesa The Wire; apoio do SHAPE, Creative Europe e ICAS. 


_Biografias dos artistas que fazem parte do SHAPE_ 


Andreas Trobollowitsch apresenta: Hecker
(Crónica/ Áustria)
http://trobollowitsch.hotglue.me/  

Andreas Trobollowitsch é um compositor, performer e artista sonoro com base em Viena, na Áustria. Em suas obras, utiliza principalmente instrumentos musicais preparados e objetos modificados, além de tapes, found sounds e field recordings. Recentemente, tem focado seu trabalho em performances e instalações sonoras, composições conceituais e desenho. Trobollowitsch já recebeu diversas bolsas em sua carreira – prêmios vinculados ao Ministério Federal Austríaco da Educação, a cidade de Viena, o Filmarchiv Áustria Cultural, entre muitos outros. Já se apresentou e realizou exposições na Áustria, Alemanha, Eslováquia, República Checa, Polônia, Bélgica, Holanda, França, Portugal, Espanha, Argentina, Chile, China, México, EUA, Japão e Coréia do Sul.
Seu primeiro álbum solo, Roha, de 2015, é um trabalho de música concreta altamente musical onde melodias microtonais de radiadores, portas giratórias, engrenagens de moagem e diversos outros não-instrumentos viram ferramentas de composição e improvisação. 
No Novas Frequências, Trobollowitsch irá apresentar Hecker, uma peça sonora para três lenhadores. Durante a performance de 20 minutos, pedaços de madeira de comprimentos e pesos diferentes são cortados de acordo com uma partitura. O ato físico do corte está ligado ao ato intelectual da leitura e desta forma um processo rural cotidiano é examinado em termos de sua sonoridade. 

Black Zone Myth Chant
(Editions Gravats/ França)
https://blackzonemythchant.bandcamp.com  
Black Zone Myth Chant é um dos muitos projetos deste enigmático e prolífico artista francês conhecido simplesmente como Max. Misturando jazz, dub e psicodelia afrocêntrica em temas altamente hipnóticos, os ritmos no BZMC são esticados, distorcidos e disformes, andando quase sempre em câmera lenta. Já as vozes são incompreensíveis, repletas de tons de sintetizadores dissonantes. 
Segundo o Pitchfork, Black Zone Myth Chant faz gótico em HD; para a loja Boomkat, o projeto é uma mistura de Sun Ra, Vox Populi! e DJ Screw. O artista francês também tem produções sob as alcunhas de High Wolf (Not Not Fun, Leaving Records), Annapurna Illusion e Kunlun. 

Youth Is Impossible cover art
Inicialmente concebido como um projeto de metal, o duo húngaro Céh, formado por Gábor Kovács (do Új Bála, outra atração do Novas Frequências) e Raymond Kiss, tomou caminhos surpreendentes ao longo de sua trajetória, misturando noise, rock, industrial e techno. Seu primeiro álbum, Youth is Impossible, foi lançado em 2015 pela Brain Fatigue, uma novíssima rede de suporte coletivo para projetos visuais, verbais e musicais. A Brain Fatigue publica zines e discos, e opera numa estrutura 100% DYI. 






Artista multidisciplinar português baseado em Berlim, Gil Delindro trabalha as relações entre ego, natureza e tecnologia em diversas mídias, sejam elas filme, som, instalações, performance, teatro ou desenho. Em comum à todas elas, está o fato de trabalhar com elementos brutos e equipamentos analógicos construídos por ele mesmo, criando um corpo sonoro extremamente físico, direto e robusto que abrange tanto um mundo concreto quanto imaginário. Delindro é membro de alguns coletivos – tanto em seu país de origem (Sonóscopia), quanto na cidade onde mora (Blind Signal, Srosh Ensemble) –, e teve seu trabalho apresentado em todo o mundo. Já colaborou com artistas como Raz Mesinai, David Toop e Rie Nakajima. 
Para o Novas Frequências, Gil Delindro irá apresentar “Voidness of Touch”, uma performance em contínua evolução que se baseia na exploração da matéria enquanto vibração. Não existem camadas estáticas e a prova disso é em grande parte o som. Todos os elementos têm uma resposta sonora, mexem-se de forma diferente, agitam-se e denunciam em si a inexistência de uma dureza - mesmo a mais robusta das pedras agita o ar de forma particular. As frequências do confronto entre corpos são amplificadas através do uso de microfones preparados – se o microscópio amplifica o entendimento pela retina, aqui o sistema de som amplia o entendimento sônico entre elementos simples com a mesma intenção. “Voidness of Touch” é simultaneamente musical e escultórico, tenta valorizar uma sensibilidade face aos materiais orgânicos e questões temporais. Todas as apresentações criam relações íntimas e distintas, dependentes das matérias utilizadas, espacialização e período do ano 


J. G. Biberkopf
(Knives/ Lituânia)
https://soundcloud.com/jgb-k  
Gediminas Žygus é Jacques Gaspard Biberkopf, um artista lituano baseado em Berlim que opera entre a música dançante e a música conceitual, e cujas referencias vão desde os movimentos existencialistas do século 20 à obra do cineasta Ryan Trecartin, o grime e a música concreta. Biberkopf também se interessa pela materialidade digital, a política existente dentro dos clubes, o antropoceno, as qualidades da voz humana e como as políticas globais determinam como se comportam os ecossistemas e as arquiteturas e infraestruturas de poder. 
Seu próximo trabalho (a ser lançado em novembro), Ecologies II, foi produzido a partir de experiências tanto em Vilnius, sua cidade natal, quanto em uma viagem pelas megalópoles do Sudeste Asiático, o que colaborou para que o artista criasse consciência das diversas ordens mundiais, dos inúmeros climas e especialmente da densa trama da matrix de ordem social e política. O album em si é uma grande coleção de gravações de campo, manipuladas e fundidas por programação digital; espécie de versão acelerada da musique concrete e de suas técnicas, variando entre uma total harmonia dos gêneros e uma violenta ruptura. 


Julien Desprez apresenta: Acapulco Redux
(Dark Tree, Coax/ França)
www.juliendesprez.com  
Julien nasceu em Paris. Ele foi auto-didata e aprendeu guitarra sozinho antes de iniciar seus estudos nos departamentos de música das universidades de Yerres e de Montreux, ganhando o prêmio “Jazz a la Défense” algumas vezes junto às bandas Radiation 10 e Irène. Sua grande atividade ao vivo, especialmente na cena de jazz parisiense, o uniu a Benjamin Flament e a Yann Joussein na fundação em 2008 do COAX Collective, uma das mais inovadoras cooperativas de música livre do país. 
Em 2014, com “Acapulco”, seu primeiro projeto solo, Julien se estabelece e reafirma sua identidade tanto na França, como internacionalmente. Baseado nas teorias do filósofo Tristan Garcia, que desenvolve a ideia de “mundo achatado”, o guitarrista criou um novo tipo de show, algo entre o concerto e a performance, conectando via MAX MSP: corpo, som, espaço e luz. A pesquisa artística de Julien se baseia nas seguintes questões: Como trazer intenções coreográficas à música? Musicalmente, o que fazer com os movimentos gerados pelos corpos? Como o som reage ao espaço e à luz durante os concertos? Em suma, como a música pode ser a saída em si? Assim nasceu a mais nova performance solo de Julien Desprez, “Acapulco Redux”, em parceira com o cenógrafo e coreógrafo Grégory Edelein.

Mike Rijnierse apresenta Relief
(Holanda)
http://mikerijnierse.nl  
Mike Rijnierse é um artista holandês conhecido por suas grandes instalações site specific em que a publico é totalmente incorporado ao contexto do trabalho. Suas instalações e performances são instrumentos em que o diálogo e a interação são desenvolvidos como base para suas investigações sensoriais, como uma plataforma para pesquisas interdisciplinares. A relação de espaço e tempo ou a geografia e a percepção do observador são parâmetros utilizados para o seu desenvolvimento musical. 
“Relief”, instalação que Mike Rijnierse, que é professor universitário e um grande colaborador do festival holandês TodaysArt, estreia no Festival Novas Frequências, é sobre o som e como o som é refletido de acordo com o formato da superfície. A instalação consiste em um painel, uma espécie de espelho sonoro, em que o som é projetado através de caixas direcionais de ultrassom. A sonoridade projetada na direção do painel faz com que o mesmo o reflita de maneiras diferentes, de acordo com a relação do posicionamento entre a fonte sonora e o objeto que o reflete, fazendo com que o público tenha sempre uma percepção diferente da experiência do trabalho, assim como de sua percepção auditiva do espaço em si em que o trabalho é apresentado. “Relief” torna-se então uma escultura de eco, e não mais uma escultura sonora.  

Mr. Mitch
(Gobstopper, Planet Mu/ Inglaterra)
www.soundcloud.com/mrmitchmusic  
Fundador do selo em ascensão Gobstopper Records e co-fundador do selo e festa Boxed, o DJ e produtor de Londres Miles Mitchell, mais conhecido como Mr. Mitch, iniciou sua carreira em 2010, ganhando rapidamente visibilidade e a atenção de todos da cena. Mr. Mitch tem se colocado no front da cena eletrônica, empurrando a sonoridade do grime e com isso alcançando novos parâmetros e horizontes. Seu som alterna tracks de grime tradicional para MC’s (Skepta, P-Money), R&B eletrônico (Katy B) e o chamado “weightless”, uma etéria mistura de grime, ambient music e percussão minimalista criada por ele e os produtores Mumdance e Logos. 
Atualmente, Mr. Mitch desenvolve a continuação de seu álbum de estreia Parallel Memories via Planet Mu. E trabalha a divulgação do projeto Yaroze Dream Suite, uma parceria com o produtor Yamaneko que funde a sonoridade weightless com sintetizadores antigos e uma espécie de mood de dia chuvoso, porém idílico. 

Sis_Mic apresenta: Les Mondes
(França)
www.pombouvierb.blogspot.com.br
https://vimeo.com/121781926  
Sis_Mic (aka Pom Bouvier-b) é uma compositora eletroacústica francesa que também improvisa e desenvolve instalações sonoras. Sua música é uma exploração e transformação de materiais que propõem caminhos sonoros que despertam a relação entre o eu interior e o mundo à nossa volta. A artista já colaborou com coreógrafos como William Petit e Mathilde Monfreux, diretores de cinema como François Billaud e músicos como Cati Delolme-Floy e Krouchi-David Merlo. Teve peças comissionadas pelo Ensemble Télémaque e pelo Gmem (Centro Nacional de Criação Musical de Marselha). 
No Novas Frequências, Sis_Mic vai apresenta “Les Mondes”, performance em que trabalha com um longo processo sonoro, em ciclos, que estica os sons até os seus limites. A artista faz uso de objetos e diferentes materiais naturais combinados ao seu laptop, uma mesa de som feita por ela mesma, e uma grande caixa de som de feedback. A improvisação se inicia em partículas e vai, vagarosamente, se transformando em uma espécie de transe, que sempre gera um resultado diferente de acordo com as características acústicas e espaciais do local onde ela se apresenta. 

Stephen Grew
(FMR Records/ Inglaterra)
https://stephengrew.wordpress.com  
Stephen Grew vem tocando piano totalmente improvisado e teclado eletrônico por mais de 30 anos. Sua música trabalha com as forças vitais do instrumento, seus sons e sua multiplicidade de padrões rítmicos, extremos dinâmicos e o que mais um improvisador pode invocar em seu momento criativo. É considerado um dos pianistas mais dedicados e criativos da Europa em função de se libertar das restrições de estruturas harmônicas, melódicas e rítmicas tradicionais. Grew já se apresentou em diversos países europeus, fez inúmeras tours no Reino Unido, seu país de origem, e colaborou com diversos músicos, tocando com colegas da cena britânica de improvisação e veteranos como Evan Parker, Keith Tippett, Howard Riley, entre outros. 



Stine Janvin Motland apresenta: Fake Synthetic Music
(+3dB Records, Pica Disk/ Noruega)
https://soundcloud.com/sjjm
www.stinesthetics.com  
Nascida em Stavanger, na Noruega, a residente de Berlim Stine Janvin Motland trabalha com música experimental, som e performance audiovisual. Através de uma diversidade de projetos (In Labour, The Subjective Frequency Transducer, Native Instrument, Stine II), a artista explora e questiona as características físicas da voz, a acústica de seu ambiente interno/externo e novas estratégias performáticas. Com um interesse especial para as qualidades ambíguas e irreconhecíveis da voz, seu recente trabalho é focado na imitação e na narrativa abstrata através de colagens sonoras referentes a uma variedade de gêneros e tradições da música eletrônica, poesia sonora, arte popular, fauna e linguagem. Ela também se apresenta como atriz, cantora e possui sua própria companhia teatral, a Brigitte & Paula Band, além de fazer parte da ópera para bebês Korall Koral. 
No Festival Novas Frequências, Stine Janvin Motland irá apresentar “Fake Synthetic Music”, performance em que se propõe a imitar as sequências melódicas de sintetizadores utilizando para isso a sua própria voz. Um tributo aos pioneiros da música eletrônica e da “rave desconstruída” do passado e de hoje, “Fake Synthetic Music” é um jogo de verdadeiro ou falso, psicoacústica e exaustão em alta frequência. 

Toxe
(Staycore/ Suécia)
https://soundcloud.com/to-xe  
Toxe é uma figura central do Staycore, coletivo e label baseado em Estocolmo, na Suécia. Esta talentosa e jovem DJ e produtora de Gotemburgo, de apenas 18 anos, produz faixas que colidem ritmos pesados contra intrincados detalhes, pintando um quadro bastante humano e emocional. Presente na cena musical por tão pouco tempo, Toxe já foi considerada uma produtora a ser observada por veículos especializados como Noisey, FADER e Dazed, e até o final do ano se aprensenta nos festivais da Red Bull Music Academy (Paris), Unsound (Cracóvia) e Club To Club (Turin). Co-fundadora do Sister, uma plataforma online para mulheres na música eletrônica, suas músicas misturam batidas duras e pesadas, texturas e loops vocais distorcidos, momentos eufóricos e samples de música pop. 
Enigmático, cheio de referências e evitando conceitos limitantes, o selo sueco Staycore, fundado pelos produtores Dinamarca e Ghazal, funciona como uma plataforma colaborativa, sem hierarquias e sem limites sonoros. Abusando da estética pós-internet, o grupo dá novas leituras à ritmos globais, sendo os favoritos o dancehall, o kuduro e a soca. Seus colaboradores residem em diversos países, do México ao Uruguai, passando por Alemanha e Croácia, formando uma rede pós-global. Em junho desde ano, o elenco principal do Staycore (Toxe, Mobilegirl, Mechatok, Alx9696, Dinamarca e Ghazal, além do brasileiro Pininga, que também vai tocar no Novas Frequências) lançou Erelitha, compilação que ganhou o mundo e tornou o Staycore ainda mais visível aos olhos da cena mundial. 


Új Bála
(Brain Fatigue/ Hungria)
www.ujbala.bandcamp.com  
Baseado em Budapeste, na Hungria, Új Bála (Gábor Kovács) constrói ao seu redor uma atmosfera obscura, severa e especialmente pesada, que se reflete na maneira com que produz o seu techno com pegada industrial e minimalista. Curiosamente, o artista cita como suas maiores influências o trabalho de artistas de fora da esfera musical, como o cineasta Béla Tarr e os pintores Mark Rothko e Anselm Kiefer. Este fato acaba por denunciar o caráter global do processo de Gábor Kovács, influenciado pela ideia de matéria e ausência de matéria, independente do universo artístico habitado, reforçando o seu gosto por melodias inusitadas. Kovács lançou recentemente uma fita pelo selo de Praga Baba Vanga que exemplifica bem o som descrito acima. Além de seu projeto eletrônico experimental solo, o produtor húngaro é metade do duo Céh (que também toca no Novas Frequências).

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