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RIP - Gene Wilder, O eterno Willy Wonka

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Como boa parte de minha geração (quatro décadas e trelelê nas costas), tive um de meus primeiros contatos com cinema, com histórias que tocam fundo na alma e nos sentidos, assistindo a A Fantástica Fábrica de Chocolate. Não na tela grande, veja bem, já que nasci dois anos depois do lançamento do filme. Mas em casa, provavelmente em uma sessão da tarde da vida. Mesmo com a explosão de cores e sons do longa de Mel Stuart, mesmo com as risadas nervosas e a tensão genuína impressa em cada frame da adaptação do clássico de Roald Dahl, mesmo com a vontade gigante de estar no lugar de Charlie e viver aquela aventura mágica, a imagem impressa em minha mente era a expressão insanamente fora da caixinha de Willy Wonka. Ou melhor de Gene Wilder. Foi ali, comendo pipoca com ki-suco, esparramado no sofá, que um pedacinho de minha infância ganhou um marco.
Hoje, esse mesmo pedacinho ficou mais triste. Aos 83 anos, Gene Wilder morreu em decorrência de complicações causadas pelo mal de Alzheimer. Já estava aposentado, mesmo que nunca tenha ficado ausente, graça a um legado imcomparável. À medida que fui ficando mais velho, e meu futuro profissional estreitava-se em direção ao cinema, Wilder foi ficando mais presente. O acompanhei no cinema quando podia. Primeiro em A Dama de Vermelho, o qual também dirigiu, em que ele voltava sua expressão maníaca, equilibrada com um olhar cheio de ternura, para Kelly LeBrock. Depois em Lua de Mel Assombrada, que ele mais uma vez dirigiu. Finalmente, em suas parcerias derradeiras com Richard Pryor, Cegos Surdos e Loucos, de 1989, e Um Sem Juízo, Outro Sem Razão, que terminou como seu último filme para o cinema, em 1991.
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Morre Gene Wilder aos 83 anos13 fotos

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O papel mais representativo da carreira de Gene Wilder foi o Willy Wonka de "A Fantástica Fábrica de Chocolate" (1971), o excêntrico dono de uma fábrica de docesVEJA MAIS >Imagem: Divulgação
Mas foi em constantes visitas à videolocadoras, e em sessões nas madrugadas televisivas, que pude descobrir o gênio que ele era. Primavera Para Hitler e O Jovem Frankenstein, ambos de Mel Brooks, foram os primeiros, indicações de um padrinho que sabia minha vontade de conhecer mais e mais sobre cinema. Depois vieram Banzé no Oeste (outro de Mel Brooks, uma das maiores comédias de todos os tempos) e Tudo Que Você Queria Saber Sobre Sexo (de Woody Allen). O Expresso de Chicago (de Arthur Hiller, que foi Supercine, não Sessão da Tarde) foi o começo da parceria com Richard Pryor, que explodiu com Loucos de Dar Nó, dirigido por Sidney Poitier em 1980. Se os loucos tomam conta do asilo em Hollywood, Gene Wilder trafegava a linha entre médico e paciente com maestria.
No crepúsculo de sua carreira, entrando nos anos 90, Gene Wilder já era ídolo entre seus pares. Ele protagonizou o filme para a TV The Lady in Question em 1999 e lentamente foi se retirando dos holofotes, brilhando uma última vez em um par de episódios da série Will & Grace, que lhe rendeu um Emmy. Ano passado, enquanto filmava O Bom Gigante Amigo, Steven Spielberg tentou lhe retirar da aposentadoria, colocando-o em um papel pequeno na fábula, que adaptava outra história de Roald Dahl. Não aconteceu. Wilder já apresentava sintomas avançados de Alzheimer, embora estivesse nos poucos casos em que a doença não o priva da capacidade de reconhecer aqueles mais próximos. A escolha de revelar sua condição somente neste momento não foi movida por vaidade'', disse, em nota, seu sobrinho, Jordan Walker-Pearlman. Ele apenas não queria que as crianças que ainda o reconheciam como Willy Wonka transformassem júbilo em tristeza ao vê-lo. Gene não podia suportar a ideia de ter um sorriso a menos no mundo.'' Charlie, e a criança em todos nós, não deixará de sorrir com seu legado. A morte nos priva da presença de um gênio. Mas o cinema lhe concede imortalidade.

E para relembrar e claro se despedir desse Gênio dos cinemas, nada mais justo do que uma das musicas que marcaram o filme e sua história, numa releitura de Glee para o sucesso Pure Imagination 

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