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O que Whitney Houston, Denzel Whashington, Cindy Crawford, Whoopi Goldberg e Janet Jackson têm em comum?

O que Whitney Houston, Denzel Whashington, Cindy Crawford, Whoopi Goldberg e Janet Jackson têm em comum? A maquiadora



 
Aos 13 anos, Marietta Carter-Narcisse costurava e aprendia a maquiar. “Meu pai disse que se eu quisesse roupas, teria que fazê-las eu mesma. Então, eu fazia! Costurava porque precisava, maquiava porque queria”, lembra a beauty artist que, hoje, tem uma carreira mais do que bem sucedida na maquiagem. 
 
De lá pra cá, 38 produções (entre TV e cinema) e inúmeros atores. “Jackie Brown”, “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, “Malcom X” e “Os Donos da Rua” são apenas alguns dos filmes. Samuel L. Jackson, Denzel Whashington, Cindy Crowford, Whoopi Goldberg, Angela Bassett e Whitney Houston, Janet Jackson são apenas algumas das estrelas. 
 
Esta entrevista exclusiva com Marietta Carter-Narcisse começou há um mês, quando o Portal da Maquiagem fez o primeiro contato. Ela aceitou de imediato, porém, estava partindo para mais uma de suas viagens para dar aulas mundo a fora. 
 
Neste meio tempo, seu último trabalho estreou nos Estados Unidos: o filme “Whitney”, sobre a vida da cantora. Nele, segundo veículos como “The Wall Street Journal” e “The Hollywood Reporter”, as grandes estrelas foram a maquiagem, o cabelo e o figurino.
 
 
Com Whitney Houston
 
 
A edição final da matéria coincidiu com a notícia de que Bobbi Kristina Brown, filha de Whintey Houston, foi encontrada inconsciente na banheira de casa. Triste “déjà vu”: sua mãe foi encontrada morta na banheira de um hotel em Los Angeles, em fevereiro de 2012. Bobbi Kristina Brown segue hospitalizada.
 
Conheça a trajetória de Marietta Carter-Narcisse e suas recomendações para quem já trabalha no mercado da maquiagem e para quem desejar ingressar nele.
 
 
- Você começou a vivenciar o “showbiz” com seu irmão, Ian Carter, responsável pelo figurino da banda The Commodores. Como foi a experiência?
Eu estava fugindo de Nova York e do fim de um relacionamento. Precisava de uma mudança de cenário. Convenci uma amiga que tinha acabado de conhecer a me acompanhar numa aventura pela Europa. Grudamos na turnê da banda. Isso foi em1983. Éramos jovens! Eu tinha 24 anos e nenhuma preocupação.
 
The Commodores fazia um sucesso gigantesco. Vivenciamos o rock n´roll de perto, coisa que muitas pessoas apenas sonham em experimentar. Embora eu não soubesse na época, foi uma experiência que mudou a minha vida. Eu sequer entendia que estava entre as maiores celebridades mundo. 
 
 
- Como você aprendeu a maquiar?
Na escola, uma secretária começou um clube de beleza que se reunia depois das aulas. Aquilo me interessou. Aprendi sobre ser modelo, cuidar da pele, aplicar maquiagem.
 
Mas foi quando eu me aventurei a fazer vestidos de noivas que tive uma epifania: por que não unir minha paixão por moda e maquiagem e montar um negócio para noivas? Me matriculei numa escola de beleza e aprendi a fazer penteados. Mas, aí, a vida tomou outro rumo.
 
 
- Você foi consultora de imagem de Natalie Cole. Como surgiu essa oportunidade?
Meu irmão, Ian, e o baixista do The Commodores, Ronald LaPread, me apresentaram a ela. Estávamos no aeroporto de Los Angeles. Enquanto andávamos, eu pensava “devo falar alguma coisa? Devo dizer que sei costurar, maquiar e fazer cabelo?”. Tomei coragem e disse “Ms Cole...”. E ela: “me chame de Natalie”. Continuei: “Natalie, se você precisar de alguém pra fazer cabelo, maquiagem ou cuidar do figurino, estou disponível”. Ela: “na verdade, preciso. Posso anotar seu telefone?”. 
 
Três dias depois, o empresário me ligou. Foi uma experiência extraordinária. Mas era uma responsabilidade enorme. Eu era assistente pessoal, cuidava do figurino, cabelo, maquiagem. E do figurino não só dela, mas da banda inteira. Nem sei como eu conseguia!
 
 
- Como foi a decisão de se dedicar exclusivamente à maquiagem?
Com Natalie, comecei a ganhar a vida fazendo algo que eu amava. Mas percebi que queria mais foco. Eu precisava ter uma direção mais certa. Foi aí meu segundo momento de epifania. Estava no cinema, sozinha, depois de uma noite desgastante. Quando o filme acabou e eu vi os créditos subindo na tela, me veio o estalo: “é isso que eu quero. Quero ver meu nome assim, rolando na tela”. Decidi parar de fazer mil coisas e me tornar realmente boa em uma só: cinema. Então, fui estudar maquiagem para filmes.
 
 
Marietta no set de filmagens de “Ghost – Do Outro Lado da Vida”
 
 
- Como sua experiência com figurino influenciou seu trabalho como maquiadora?
A experiência com figurino me permitiu ver a totalidade. Não só a maquiagem, mas também a roupa e o cabelo. Sempre fui assim: capaz de visualizar o resultado final antes mesmo de começar. Quando crio uma maquiagem de época, levo tudo em consideração. 
 

- Você comandou o departamento de maquiagem de dois filmes biográficos: Tina (Turner) e Whitney (Houston). Neles, maquiou atrizes que precisavam se parecer com dois ícones extremamente conhecidos do grande público. Como conseguiu bons resultados sem nenhuma aplicação de prótese?
O mais importante é você ter plena consciência de que, sem prótese, existem limitações para criar o personagem. Para acertar, você tem que contar com o desempenho dos atores. Com isso, o cabelo e o figurino, pode-se capturar a essência daquele ícone. Quando esses elementos funcionam juntos, é mágico. 
 
São as sutilezas, as nuances que ninguém percebe, mas estão lá, que fazem o personagem funcionar. Sou uma defensora dos detalhes. Acho que sofro de alguma obsessão. Estudo inúmeras fotos que me ajudam a retratar a pessoa da maneira mais fiel possível. 
 
 
 
Cenas dos filmes Tina e Whitney
 
 
- Como foi seu processo de criação para esses filmes?
Passei cerca de oito horas conversando com a própria Tina Turner sobre como eram as maquiagens dela, o que exatamente ela usava e como ela usava. Ela se ajoelhou na minha frente e me maquiou: metade do meu rosto do mesmo jeito que ela fazia nos anos 1960; a outra metade da forma como ela se maquiava nos anos 1970. Uau! Tina Turner me maquiou! Aposto que poucas pessoas podem dizer isso! Foi como uma experiência extracorpórea! 
 
Com Whitney, bem, eu já tinha trabalhado com ela em “Sparkle”. Isso me permitiu capturar momentos raros de sua personalidade e aquelas pequenas coisas que fazem toda a diferença quando se cria um personagem.
 
 
- As filmagens de “Sparkle” aconteceram um pouco antes de Whitney Houston falecer. Como foi trabalhar com ela?
Conhecer Whitney foi épico. Ela foi carinhosa, amigável e, como produtora executiva do projeto, me recebeu de braços abertos. Peguei o trabalho da noite pro dia. Recebi uma ligação e, em menos de 24 horas, peguei um voo e fui assumir o comando do departamento de maquiagem. Não tive tempo de me preparar. Joguei algumas roupas na mala, peguei meu kit de maquiagem e fui. Eu sequer tinha o roteiro.
 
Whitney não trabalhava todos os dias, mas os momentos em que estive com ela foram suficientes. O respeito mútuo foi imediato. O fato de termos uma longa trajetória profissional nos dava um sentimento de sermos igualmente veteranas. Conversávamos sobre ser mãe e criar filhos em meio a uma indústria tão estressante. Nossas manhãs começavam com um “show privado”: Whitney cantando suas músicas favoritas de gospel.
 
Saí dessa experiência com um sentimento de conexão não da maquiadora com o ícone. Mas como mãe que enfrenta lutas parecidas, numa jornada perpétua de tentar equilibrar a vida.
 

- A lista de celebridades com as quais você já trabalhou é vasta. Como você se relaciona com grandes estrelas?
Trato com muito respeito e como seres humanos. Deixei de me deslumbrar muitos anos atrás quando entrei num elevador e dei de cara com Nick Ashford. Eu, muito estupidamente, disse “você sabe quem você é?”. Claro que ele sabia quem ele era. O olhar que ele me deu me enterrou seis palmos abaixo da terra. Nem preciso dizer que aprendi a lição, né? 
 
Trato todo mundo com o mesmo carinho e respeito que eu quero ser tratada. Depois de um tempo, você percebe que celebridades são seres humanos como todos nós. Com problemas, passando pela vida e tentando descobrir, ao longo do caminho, o que isso significa. A diferença é que, às vezes, os problemas delas são expostos ao público.
 
 
Com Janet Jackson, na gravação de um dos vídeos clipe da cantora
 

- O que inspira seu trabalho?
Tantas coisas… Vivo no Sul da Flórida, amo o calor, o sol, a natureza, os bichos, as cores naturais que vejo numa borboleta ou em algum animal exótico que passa pelo meu quintal. Estou sempre pegando fotos de maquiagens, de texturas de tecidos, de animais. Guardo tudo nos meus arquivos. Nunca me canso de ver cores e texturas. 
 

- Você acompanha as tendências de maquiagem?
Claro! Acompanho e incorporo no meu trabalho. Não perco uma transmissão na TV de premiações ou grandes eventos que mostrem maquiagem e cabelo. Estou sempre navegando pela Internet, sempre vendo sites de beleza. E toda vez que vou ao mercado, compro revistas. Estou sempre olhando alguma coisa. 
 
Quando você é uma pessoa criativa, você é sempre um curioso. Também me inspiro muito nos meus alunos, alguns são muito talentosos. Sabe quando você está no consultório do dentista, pega uma revista pra ler e tem uma página faltando? É provável que eu tenha tirado.

 
- As redes sociais têm sido muito usadas como referência de como maquiar. São milhares de tutoriais, fotos no Instagram... Tentar reproduzir vídeos e fotos é suficiente? Do que é feito um bom maquiador?
As redes sociais vieram para ficar. Porém, se você quer uma carreira na maquiagem, acho que deve começar procurando uma (boa) escola e aprender (pelo menos) o básico. O problema de contar só com o que se vê em redes sociais e sites quando você é um iniciante, é que você ainda não tem habilidade para diferenciar fato e ficção. 
 
Tem muita informação de qualidade disponível, mas muitas delas são ofuscadas por informações de péssima qualidade. Não acredite logo de cara no que você vê na Internet. Pesquise, vá a fundo.
 
 
- Como um iniciante pode escolher uma boa escola de maquiagem?
Cheque as habilidades dos professores que trabalham na escola. Procure no Google, leia a biografia deles, veja quais trabalhos fizeram. Cheque os perfis nas redes sociais. E o mais importante: visite a escola e peça um tour. Veja o site, procure comentários. Eu também procuraria ex-alunos para saber como foi a experiência deles. 
 
Se você quiser fazer maquiagem de filme ou TV, certifique-se de que existe uma página no IMDB mostrando o que o professor fez nesses mercados. Não se pode ensinar a fazer maquiagem de filme ou TV se você nunca fez nenhum deles. O mesmo com moda: descubra quais editoriais, campanhas e comerciais o professor já fez.
 
 
Denzel Whashington e Malcom X. O filme rendeu a Denzel o Oscar de Melhor de Ator. “O trabalho mais desafiador da minha carreira. Apliquei barba, bigode e muito cabelo”, conta Marietta. 
 

- Alguns top maquiadores não compartilham conhecimento, talvez tentando proteger status e oportunidades de trabalho. Você acha que ensinar ameaça o sucesso?
Medo e insegurança impedem a maior parte dos maquiadores de compartilharem o que sabem. Acham que se dividirem muita informação, os alunos vão competir com eles futuramente. Eu não acredito que ensinar me prejudique. Amo compartilhar meu conhecimento com quem quer aprender e crescer. Não há nada que uma pessoa possa roubar de mim. Se alguém pegar o trabalho, não era pra ser meu mesmo.
 
 
- Qual é sua principal recomendação para quem já atua como profissional da maquiagem? 
Para quem já está trabalhando: mantenha-se atualizado. É muito importante se manter informado, participar de feiras e eventos do mercado. Conheça todas as tecnologias. Isso significa ir a uma loja de artigos eletrônicos para ver os últimos lançamentos do mercado e, num set de filmagem, aprender o máximo possível sobre as câmeras, a iluminação que está sendo usada e porquê. Faça perguntas! Teste diferentes produtos e todos os lançamentos de maquiagem. Pegue nas mãos, sinta a textura, veja se gosta ou não. 
 
 
Com Samuel L. Jackson nos bastidores do filme 'A Negociação"
 
 
- E para quem quer ingressar na carreira, qual é o seu conselho?
Deixe um pouco de lado YouTube e Instagram e comece a ser objetivo em relação ao que você quer. Aprenda a decifrar o que é uma boa maquiagem e o que é uma maquiagem ruim. Aprenda a diferença entre uma foto muito retocada e tratada de uma que não é. Maquiagem ruim, mesmo depois de receber tratamento, continua sendo uma maquiagem ruim. Desenvolva visão crítica e olhar objetivo. 
 
Decida se maquiagem é algo que você verdadeiramente ama, ou se você só quer brincar de ser maquiador. Se quer brincar, maquiagem é seu hobby, não sua profissão. Entenda que os dias serão longos e os impostos serão muitos. Nem tudo é o “glamour” que você vê na televisão. Para ser bem sucedido numa indústria tão competitiva, precisa trabalhar duro, se dedicar e ter determinação. E, acima de tudo, você deve ter noção de negócios e desenvolver essa perspicácia.
 
 
 
Outras empreitadas de Marietta Carter-Narcisse:
 

- Lipstick Lectures: palestra transmitida online direcionada a maquiadores que desejam seguir carreira no cinema e na televisão.  As palestras acontecem no segundo sábado de cada mês e são gratuitas: www.mariettacarter-narcisse.com/lipstick-lectures.html
 
 
- “Roll Sound…Rolling…Speed…Marker…ACTION”, um eBook que traz um compilado de termos técnicos e descrição de cargos das indústrias do cinema e TV:http://store.blurb.com/ebooks/506680-roll-sound-rolling-speed-marker-a-c-t-i-o-n-industry-terminology-not-just-film-television
 

- “Cosmix School of Makeup Artistry”, onde a maquiadora dá aulas para iniciantes do mundo: http://www.cosmixinc.com
 
 
 
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Fotos: Arquivo pessoal

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